20 maio 2017 - 00:04

“Soubemos que a fita foi editada”, fala criminalista que vai defender Temer

Advogado disse que governo dispõe de 'informações seguras' sobre a existência de adulterações e montagens no áudio da conversa entre o presidente e o dono da JBS

O advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira disse, nesta sexta-feira, que o governo dispõe de “informações seguras” sobre a existência de adulterações e montagens no áudio da conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Amigo do presidente há 40 anos, Mariz se reuniu com Temer, em Brasília, e vai assumir a defesa do peemedebista. Uma das estratégias jurídicas, após a delação premiada feita por Joesley, é pedir a perícia da gravação que veio a público. “Soubemos que a fita foi editada e isso é gravíssimo”, afirmou Mariz. “É uma indignidade o que estão fazendo contra o presidente da República e contra o Brasil.”

Na conversa com Temer no Palácio do Jaburu, no dia 7 de março, Joesley disse estar “de bem” com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. “Tem que manter isso, viu”, respondeu Temer. Em seguida, Joesley acrescentou: “Todo mês”. Parte do diálogo, porém, é inaudível.

A defesa tenta desqualificar Joesley, sob o argumento de que o empresário se valeu de uma delação falsa com o único objetivo de obter benefícios para ele e para a companhia. “A verdade começou a ser reposta. Há absoluta falta de seriedade nas acusações”, afirmou Mariz.

PGR produziu laudos sobre áudio

O Ministério Público Federal (MPF) produziu quatro laudos iniciais a partir das gravações entregues pelo delator. Para a analista Elaine Sobral e o técnico Eder Gabriel, do MPF, o diálogo do arquivo “encontra-se audível, apresentando sequência lógica”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Lava Jato, apontou no despacho de abertura do inquérito que cita Temer entre os investigados que não há ilegalidade nos áudios que Joesley gravou.

Fonte:Agência Brasil