20 abril 2017 - 17:33

Psiquiatra adverte para mudanças de comportamento em adolescentes usuários do jogo Baleia Azul

Polícia busca identificar casos suspeitos, com parceria do MP

Repercutem em todo o Brasil as consequências da disseminação, na Internet, do jogo online Baleia Azul entre um número significativo de adolescentes. A polêmica começou na Rússia, quando mais de 100 casos de suicídio foram relacionados ao fenômeno. Em abril, foram revelados casos de jovens que, no Brasil, podem ter participado de desafios impostos em grupos fechados ligados ao jogo, no Facebook e no WhatsApp, e que chegaram até a última missão: a morte.

Em entrevista à Rádio Guaíba na manhã desta quinta-feira, o psiquiatra Carlos Pacheco relatou que os casos são recentes no País, e alertou sobre mudanças repentinas no comportamento de jovens propensos a participarem do Baleia Azul. “Isolamento, perda de interesse nas atividades que ele costumava fazer, falta de interesse nas relações interpessoais, instabilidade, crises de raiva e marcas de agressão e mutilação”, exemplificou. “Tomar porres consecutivos, quedas e acidentes, situações onde se colocam em risco. Além de ter mais cuidados aos que já estão vulneráveis, que já passaram por situação de violência, de bullying, que estão com autoestima muito baixa”, acrescentou.

Pacheco também salientou que nem todo jovem responde da mesma forma ao jogo. “Estamos encontrando adolescentes na faixa entre 13 e 17 anos. Isto não atinge todos os jovens. Não é todo jovem que abre o jogo e vai ter o mesmo comportamento. A gente sabe que normalmente o jovem que procura esse tipo de jogo já têm algum indicativo a problemas de sofrimento e baixa autoestima. Já outros adolescentes têm uma crítica mais clara a ele”, disse.

O psiquiatra reforçou que é necessário redobrar atenção a jovens que apresentem alguma alteração repentina de comportamento, e que, nesses casos, seja oferecida ajuda imediata. “Nosso alerta é todo para condutas afirmativas em relação a vida e os cuidados com nossos filhos. Tem muita coisa na Internet que para um jovem imaturo e fragilizado, pode soar como verdade. E é nisso que temos que estar próximos, para que ele saia dessa situação”, disse. “Se você ver que seu colega não está legal, tem momentos de isolamento, de tristeza, de choro, ofereça ajuda. Comunique outros amigos. A escola também tem que auxiliar. Temos que falar desses assuntos e ter esse cuidado”, encerrou.

Secretaria da Saúde reforça cuidado

Nessa quarta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre emitiu uma nota orientando os pais e responsáveis por adolescentes sobre o Baleia Azul. O alerta chama atenção para sinais como falas que mencionem indiretamente “morte e suicídios”, “vontade de sumir” e “ir embora”, mudanças no hábito de sono, alimentares, piora no desempenho escolar, comportamentos auto-destrutivos como auto-mutilação, uso de álcool e drogas e tentativas de suicídios anteriores.

A Secretaria oferece dois plantões de emergência em saúde mental com atendimento 24 horas localizado no Centro de Saúde Vila dos Comerciários e no Centro de Saúde IAPI.

Polícia busca identificar casos suspeitos, com parceria do MP

A delegada Adriana Regina da Costa, que dirige o Departamento Estadual da Criança e Adolescente (Deca), confirmou que a Polícia gaúcha busca identificar casos supostamente relacionados ao Baleia Azul. “A Polícia sempre teve registros de ocorrências de tentativas de suicídios entre adolescentes. É muito prematuro a gente afirmar que essas tentativas tenham a ver com jogo. Estamos verificando o número nos últimos tempos pra ver se houve e se há vinculação”, divulgou Adriana, em entrevista à Guaíba.

Adriana também contou que o Deca e a Delegacia de Homicídios estão realizando trabalho em conjunto, visitando escolas e alertando sobre os perigos dos crimes cibernéticos. “Temos um trabalho de prevenção que realizamos junto as escolas, onde abordamos vários temas, questão de bullying, de escolha e de diferenças”, relatou.

Ao lado do Ministério Público, o Deca e a Polícia Civil já foram acionados e estão em alerta, devendo os casos suspeitos ser denunciados também a essas instâncias com vistas à investigação. Ações conjuntas devem ser divulgadas com vistas ao manejo adequado da situação.

Fonte:Correio do Povo e Rádio Guaíba