14 novembro 2017 - 15:22

Operação combate suposto cartel em compra de resíduos animais nos estados do Sul

MP e Cade identificaram seis empresas participando do esquema

Uma operação de combate a práticas de cartel foi deflagrada no Rio Grande do Sul, na manhã de hoje, contra uma organização supostamente formada por seis empresas – uma delas internacional. O cartel investigado, conforme o Ministério Público, vinha fixando preços na compra de resíduos de origem animal no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. A ação é realizada pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal do Ministério Público do Rio Grande do Sul e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em empresas e residências das cidades de Cruzeiro do Sul, Marau, Vila Maria, Putinga, Nova Bréscia, São José do Hortêncio, Novo Hamburgo, Canoas e Parobé, todas no Rio Grande do Sul, além de Concórdia (SC) e Curitiba (PR). As buscas contaram com a participação de 85 pessoas.

As investigações se iniciaram em 2015 e, de acordo com o Ministério Público (MP), a multinacional Faros Indústria de Farinha de Ossos, de Cruzeiro do Sul, em conjunto com a Sebo Mariense Ltda. (Vila Maria), a Frigorífico Cason (Putinga), a Agro Industrial Nova Bréscia (Nova Bréscia), a Curtume Sulino (São José do Hortêncio) e a Sefar Indústria e Comércio de Farinha e Sebo Ltda (Parobé), constituíram um suposto cartel para a compra de resíduos animais de frigoríficos. Com os resíduos, é feita a produção e venda de farinha de osso e farinha de carne para ração animal, óleos para a indústria biodiesel, e sebo ou similares para fábricas de produtos de higiene como, por exemplo, detergente e sabão.

Das seis empresas, três eram as responsáveis por tomar as decisões pelo grupo, sendo que sete pessoas se reuniam periodicamente para determinar as estratégias do esquema. Por envolver commodities, o crime era praticado na compra dos insumos, e não na venda, cujo preço é fixado pelo mercado internacional.

Conforme o MP, a maioria das empresas envolvidas atua no mercado internacional. Enquanto o pagamento para resíduos animais, como ossos e sebo (de aves, suínos e bovinos), varia entre R$ 0,10 e R$ 0,50 por quilo, ao longo dos últimos anos, a revenda é de R$ 1,50. A instituição detalha que os principais prejudicados são os pecuaristas, pois não recebem o valor correto ao vender os animais; os frigoríficos, ao serem reféns das determinações de preço do suposto cartel; e o consumidor, que pode pagar mais caro pela carne caso seja reduzido o valor dos resíduos.

O faturamento anual do setor no Rio Grande do Sul chega a R$ 800 milhões. Apenas uma dessas empresas chega a comprar mil toneladas de resíduos em um único dia.

Fonte:Rádio Guaíba