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19 maio 2017 - 20:16

Onyx Lorenzoni assume ter recebido R$ 100 mil da JBS em caixa 2

Parlamentar admitiu ter cometido um erro, mas defendeu que receber dinheiro irregular não é corrupção

Após ter sido citado em uma delação premiada ligada à J&F, controladora do grupo JBS, o deputado federal Onyx Lorenzoni, do Democratas, assumiu ter recebido R$ 100 mil em caixa 2 para financiar a reta final da campanha de 2014. Conforme o deputado, a doação não declarada teve a intermediação do presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Carne Bovina (ABIEC), Antônio Jorge Camardelli.

“Eu cometi um erro e eu peço desculpas aos meus eleitores por isso. Cometi o erro de aceitar e receber esse recurso que foi usado naquela fase final, onde todo candidato passa por momentos de grande dificuldade. E estou fazendo como um homem tem que fazer: assumindo minha responsabilidade”, ressaltou.

Onyx é o relator do projeto que trata das dez medidas contra a corrupção na Câmara e defende que cometeu um erro recebendo o dinheiro irregularmente, mas não praticou corrupção. “É um ato irregular, veja lá o artigo 350 do código eleitoral, veja lá se está escrito que é corrupção, veja se o Ministério Público processa alguém por corrupção. Não é propina, não é dinheiro ilegal, eu recebi de maneira irregular no cenário de uma campanha eleitoral. Não foi para uso próprio, o dinheiro foi aplicado na campanha, e foi um erro”, disse o parlamentar.

O deputado reafirmou ainda que não recebeu dinheiro da Odebrecht – apesar de citado em uma lista de 108 investigados, divulgada pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) – e que essa foi uma “armação” para tentar calá-lo. ”A quadrilha da Odebrecht, a quadrilha do Lula não conseguiu me acusar de corrupção. É caixa dois lá também, mas lá eu não recebi não. Eu vou provar nos próximos meses”, defende.

Na ocasião, Onyx se comprometeu a renunciar ao mandato se alguém apresentar fotos dele com algum diretor da empreiteira. Hoje, ele disse que é preciso diferenciar as duas situações (em relação à que envolve a JBS), já que mantém relação próxima com pessoas ligadas à área da agricultura. O deputado também alegou, ainda, que recebeu os R$ 100 mil sem prometer nada em troca. “Perguntaram (para o delator) se havia qualquer contrapartida de minha parte e ele disse que não, era apenas apoio eleitoral, não foi pedida e nem dada nenhuma contrapartida, então são coisas diferentes”.

Onyx acrescentou essa foi a única vez na vida pública, iniciada em 1994, que recebeu dinheiro irregular. Além disso, afirmou que vai manter a candidatura no ano que vem: “Quem vai decidir se vou me eleger ou não são os gaúchos”.

O deputado promete formalizar a confissão ao Ministério Público Federal (MPF) e à Procuradoria Geral da República (PGR) na segunda-feira. Ele disse que vai assumir a responsabilidade, apresentar as razões e responder por aquilo que cometeu.

Ouça a entrevista na íntegra:

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Fonte:Daiane Vivatti/Rádio Guaíba