14 novembro 2017 - 16:02

Magistério: ato de grevistas termina em frente à Praça da Matriz após bloquear acesso à Federasul

Protesto serviu para solicitar nova rodada de negociações com o Palácio Piratini, mas não surtiu o resultado esperado

Terminou, no início da tarde desta terça-feira, um ato realizado pelo Cpers/Sindicato em frente ao Palácio Piratini, na Praça da Matriz, no Centro de Porto Alegre. Pela manhã, os professores e funcionários de escolas vinculados ao sindicato bloquearam todas as entradas do prédio da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), também na região Central. Depois, partiram em caminhada rumo à Praça da Matriz. Algumas vias do Centro chegaram a ficar bloqueadas, como a Borges de Medeiros e a Duque de Caxias. A greve do magistério gaúcho já dura 71 dias.

O protesto realizado nesta terça serviu para solicitar uma nova rodada de negociações com o Palácio Piratini. No entanto, o governo gaúcho não acenou com uma nova agenda para discutir a greve do Magistério. Em função da negativa, o comando de greve está reunido para definir as próximas agendas da paralisação.

Os professores exigem o fim do parcelamento de salários para encerrar a greve. Já o Piratini acenou com a possibilidade de solucionar o impasse em dezembro. Contrariando a orientação do Cpers de encerrar a greve, a maioria dos educadores presentes na última assembleia decidiu manter a paralisação.

Nessa segunda-feira, a Secretaria de Educação (Seduc) informou que apenas 2% das escolas da rede pública estadual seguem sem aulas em função da greve. O Cpers/Sindicato garante que vai percorrer todas as 2,5 mil unidades para realizar um balanço in loco sobre a paralisação dos professores. A expectativa é concluir esse balanço junto aos núcleos até o fim da semana.

Federasul emite nota lamentando protesto

Na tarde de hoje, a Federasul, que teve os acessos bloqueados pelos grevistas, emitiu nota lamentando a postura “agressiva” do protesto. Confira o texto na íntegra, assinado pela presidente da entidade, Simone Leite:

Com a frase: “cheguei chegando pra fechar a Federasul”, o CPERS bloqueou a entrada do Palácio do Comércio e impediu a entrada das pessoas. 

A Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul – Federasul lastima a postura agressiva da manifestação do CPERS, intimidando pessoas que tentam trabalhar e fazer a sua parte num momento tão difícil para todos, muitos de forma absolutamente voluntária, como é o caso de toda a diretoria. Triste perceber que, mesmo em 2017, no encontro do mundo real com o mundo de faz de conta dos populistas, um Sindicato deste porte continue tentando terceirizar a responsabilidade por décadas de corporativismo irresponsável.
Os serviços públicos são imprescindíveis e absolutamente necessários. Com profundo respeito pelos professores, que mesmo sofrendo as consequências dos desmandos e da irresponsabilidade de sucessivos governos, continuaram educando nossos jovens, mesmo quando já estavam com salários parcelados, nos solidarizamos com os educadores que permanecem em aulas, num claro compromisso com os pais e os alunos de escolas públicas, tentando evitar um prejuízo ainda maior.

O sofrimento dos servidores públicos e as consequências para população têm sido pauta de nossas reuniões. Repudiamos por completo as agressões do CPERS à classe produtiva que, tanto quanto toda a sociedade gaúcha, continua sobrecarregada por excesso de impostos, burocracia e falta de bons serviços públicos, como segurança, saúde e educação.

Sim, defendemos que não há solução possível para o Rio Grande que não passe pela classe produtiva, pela iniciativa privada, por trabalhadores, operários, profissionais liberais e empreendedores que através da produção honesta geram toda a arrecadação necessária para manter os serviços públicos.

É uma pena que esta postura agressiva ainda esteja presente em pessoas que se julgam líderes. Com fé, coragem e determinação, tempos melhores virão.

Simone Leite
Presidente da Federasul

Fonte:Lucas Rivas/Rádio Guaíba