19 maio 2017 - 17:31

Janot sustenta que Aécio buscou Temer e Moraes impedir avanço da Lava Jato

Em nota, senador negou ter agido com esse fim

O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) buscou criar estratégias para impedir o avanço das investigações da Operação Lava Jato e, para isso, tentou articular com o presidente da República, Michel Temer, e o atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que à época era ministro da Justiça. É o que sustenta o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em documento enviado ao STF.

“Mais especificamente sobre a Lava Jato, o senador teria tentado organizar uma forma de impedir que as investigações avançassem, por meio de escolhas dos delegados que conduziam os inquéritos, direcionando as distribuições, mas isso não teria sido finalizado entre ele, Michel Temer e o ex-ministro da Justiça e atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes”, registra Janot.

A afirmação do procurador-geral aparece na decisão do ministro do STF Luiz Edson Fachin, que determinou a abertura de inquérito para investigar Temer e Aécio Neves a partir das informações dos depoimentos de delação premiada de executivos do grupo JBS. Os pedidos de abertura de inquérito formulados pela PGR e o conteúdo dos depoimentos foram divulgados hoje pelo STF.

Mais à frente, Janot retoma o tema: “Além disso, verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos”. Até o momento, o Palácio do Planalto ainda não se pronunciou sobre os novos conteúdos das delações divulgados hoje pelo STF.

Em depoimento de delação premiada o empresário do grupo JBS, Joesley Batista cita ter pago supostos R$ 2 milhões em propina a Aécio Neves, em 2017, para ele atuar em favor da aprovação da lei de abuso de autoridade e anistia ao caixa 2 em campanhas eleitorais.

Ontem, a defesa de Aécio confirmou que o senador afastado pediu R$ 2 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista. Entretanto, segundo o advogado José Eduardo Alckmin, foi um pedido de empréstimo para custear a defesa de Aécio, que já era investigado pela Operação Lava Jato. De acordo com José Eduardo Alckmin, foi uma transação particular, que não teve relação com o cargo de senador.

Em nota, Aécio rebate

Aécio lançou nota negando que tenha atuado para criar “empecilho” aos avanços da Lava Jato. Segundo o presidente licenciado do PSDB, ele foi um dos primeiros a “hipotecar apoio à operação”. Em uma das conversas com Joesley Batista, Aécio fala que conversou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente Michel Temer para aprovar a proposta do abuso de autoridade.

Leia a nota divulgada pela assessoria de imprensa de Aécio na íntegra:

“Não existe qualquer ato do senador Aécio Neves, como parlamentar ou presidente do PSDB, que possa ter colocado qualquer empecilho aos avanços da Operação Lava Jato. Ao contrário, como presidente do partido, o senador foi um dos primeiros a hipotecar apoio à operação.

Manifestar posições em relação a propostas legislativas é algo inerente à atividade parlamentar, o que possibilitou inclusive a introdução no texto sobre abuso de autoridade de sugestões feitas tanto pelo senhor procurador-geral, como pelo juiz Sérgio Moro, a exemplo da retirada do texto do chamado crime de hermenêutica, de cujo entendimento o senador participou intensamente.

Em relação aos comentários feitos em conversa privada sobre delegados da Lava Jato, o senador emitiu uma opinião em face da demora da conclusão de alguns inquéritos.

O senador Aécio Neves jamais agiu ou conversou com quem quer que seja no sentido de criar qualquer tipo de empecilho à Operação Lava Jato ou à Polícia Federal, que sempre teve seu trabalho e autonomia apoiados pelo senador em suas agendas legislativas, e também como dirigente partidário.

Fato que pode ser verificado nas diversas oportunidades em que ele se pronunciou publicamente em apoio à instituição e na defesa no Orçamento da União da garantia dos recursos necessários para o cumprimento das atividades de polícia.”

Fonte:Agência Brasil e Agência Estado