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11 janeiro 2017 - 18:03

Governo gaúcho espera posição da classe patronal para definir o salário mínimo regional

Centrais sindicais querem aumento superior à inflação para repor o que ficou faltando em 2016

O secretário interino do Trabalho e do Desenvolvimento, Ayres Apolinário, recebeu de representantes de centrais sindicais, na tarde de hoje, o pedido de reajuste do salário mínimo regional para o Rio Grande do Sul. Sem definição em 2016, os representantes dos trabalhadores querem que o benefício suba 10,45%. Caso esse índice seja aceito, a menor das cinco faixas sobe de R$ 1.103 para R$ 1.219.

Na próxima semana, Ayres Apolinário espera receber o índice sugerido pela classe patronal. A intenção do Palácio Piratini é de que as duas partes possam chegar a um denominador comum, sem a intervenção do governo. A lei em vigor prevê data-base em fevereiro, embora os trabalhadores tenham reiterado hoje a solicitação de que o aumento retroaja a janeiro.

O pedido das centrais supera a inflação porque, em 2016, o governo autorizou 9,6% de reajuste no piso, enquanto o INPC variou 11,3%. Com isso, os sindicatos querem recuperar a perda, além de receber um aumento de 8,8% – média do que, segundo o Dieese, as categorias obtiveram em negociações coletivas junto ao empresariado, em 2016. De acordo com presidente da CTB/RS, Guiomar Vidor, o mínimo regional contempla hoje cerca de 1,3 milhão de trabalhadores sem um sindicato específico para fazer essa negociação.

Apolinário informou que ainda não recebeu um indicativo do que pode vir a ser oferecido pelo empresariado. Ele também evitou confirmar se o pedido dos trabalhadores pode ser aceito caso a definição fique a cargo do governo. “Eu não posso responder uma coisa no ar, no achismo. Nós vamos trabalhar na prática, vamos ouvir as propostas e analisar. Hoje, o governo não tem proposta”, admite.

Em outubro, as centrais sindicais haviam entregue um pedido de reajuste maior, de 10,65%, para o então secretario estadual do Trabalho, Catarina Paladini. Sem avanço, o debate sobre o tema ficou em segundo plano. Para a aprovação do reajuste, é necessário que o índice seja definido, aprovado na Assembleia Legislativa e sancionado pelo governador José Ivo Sartori.

Já o mínimo nacional aumentou menos do que previa. Em 29 de dezembro, o governo federal anunciou o reajuste do benefício, de R$ 880 para R$ 937. O Planalto justificou que o INPC variou só 6,74%, abaixo das estimativas anteriores.

Fonte:Lucas Rivas/Rádio Guaíba