12 janeiro 2018 - 17:24

Gleisi: PT vai manter Lula candidato, mesmo que TRF confirme condenação

Partido espera que, mesmo que resulte em aumento de pena, decisão não inclua prisão do ex-presidente

Presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), a senadora Gleisi Hoffmann disse hoje à Rádio Guaíba que a legenda só vai reconhecer como honesta a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF4) se os desembargadores da 8ª Turma absolverem o ex-presidente Lula em 24 de janeiro, quando a Corte julga a apelação da defesa dele. Gleisi reiterou que a sentença do juiz federal Sérgio Moro não é baseada em provas e, nesse sentido, antecipou que o PT não vai aceitar a condenação de Lula. De acordo com ela, o ex-presidente continua sendo o candidato do partido na corrida pelo Planalto em 2018.

“(o PT) Não reconhecerá a decisão da Justiça. Lula continuará sendo nossa liderança, nosso candidato, que vai continuar levando propostas de mudanças do que está acontecendo no Brasil”, alegou. “Não há nenhuma lei que impeça o registro da candidatura dele no dia 15 de agosto. Depois disso, o registro até pode ser questionado, mas o nome dele estará na urna”, completou a senadora.

O PT espera que, mesmo que resulte em aumento da pena contra Lula, a decisão do TRF4 não inclua a prisão do ex-presidente. Em julho do ano passado, Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de pena pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Para contestar uma decisão desfavorável no TRF, recursos ainda podem ser encaminhados ao STF. Em relação à corrida presidencial, a eventual eleição de Lula pode ser impedida pela Justiça Eleitoral, embora nesse âmbito também possa haver recurso.

A petista ainda destacou que mais de uma centena de juristas questionou a sentença de Moro alegando que não há base jurídica para dizer que o apartamento triplex do Guarujá, que motivou o processo, pertence a Lula.

Gleisi ainda disse que a condenação do ex-presidente consagra o que chama de “terceira etapa do golpe” para que evitar que o PT retome o poder. A senadora cita que, antes disso, ocorreram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a aprovação de reformas – como a Trabalhista e a emenda constitucional do teto dos gastos no serviço público.

Fonte: Samantha Klein/Rádio Guaíba