11 abril 2017 - 19:33

Gaúchos alvos de inquéritos de Fachin desmentem suposta relação com a Odebrecht

Onyx Lorenzoni (DEM) prometeu renunciar ao mandato caso apareça, em fotos, com diretores da empreiteira Odebrecht

Com a divulgação da abertura de inquéritos relacionados às delações premiadas da Odebrecht, um ministro e quatro parlamentares gaúchos, além de dois ex-presidentes da Trensurb, foram citados em uma lista de 108 investigados, divulgada hoje pela imprensa. O ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Procuradoria Geral da República (PGR) a investigar nove ministros, 29 senadores e 42 deputados federais que fazem parte da chamada “lista do fim do mundo”, publicada no fim da tarde pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM) disse ter 24 anos de vida pública sem “um arranhão” e que vai provar inocência. Ele informou ainda que o advogado vai solicitar acesso aos autos e disse que está à disposição para eventuais quebras de sigilo bancário e telefônico. “Nunca sentei com alguém da Odebrecht, nunca estive na sede da empresa. Pode haver alguma conexão em relação ao partido nacional, mas me mostrem uma foto minha com algum diretor da empreiteira e renuncio ao meu mandato na hora”.

O ex-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT), também negou qualquer envolvimento com a construtora. Pelo menos dois inquéritos já foram abertos contra o parlamentar a fim de investigar falsidade ideológica eleitoral, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. ”Primeiro isto é uma grande mentira. Eu não tenho nenhum pedido e recursos que tenham sido feitos ou patrocinados pela Odebrecht. As afirmações são completamente mentirosas. Além disso, já autorizei meus advogados a entrarem judicialmente contra todos os delatores que falarem meu nome. Não vou baixar a cabeça em relação a esse tema”, disse. A defesa do deputado adverte, ainda, que ”as ações criminais cabíveis contra estes delatores serão adotadas, na medida em que imputam a terceiros atos inexistentes como forma de obterem benefícios que não merecem junto ao Poder Judiciário”.

A deputada Maria do Rosário (PT) emitiu nota em que declara que a medida é apenas uma autorização do STF para apuração dos fatos sobre as delações da Odebrecht. “No entanto a mera citação de meu nome me deixa indignada.  Não me calarei frente a este episódio e não me afastarei um milímetro sequer das causas que acredito e que o nosso trabalho representa”, cita o texto. A deputada declarou que vai disponibilizar os sigilos fiscal, bancário e telefônico ao STF. “Meu nome e minha vida não estão à disposição para serem enxovalhados por ninguém em nenhum lugar”, finaliza.

A deputada Yeda Crusius (PSDB) não se manifestou até o momento e elabora uma nota pública. Citado entre os nove ministros do governo Temer a serem investigados pelo Supremo, o chefe da Casa Civil do governo de Michel Temer, Eliseu Padilha, informou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai se manifestar por enquanto. Já a defesa dele informou que “todo e qualquer conteúdo de investigações” vai ser “debatido exclusivamente dentro dos autos”.

Os ex-presidentes da Trensurb Humberto Kasper e Marco Arildo Prates da Cunha também serão investigados pela PGR. Eles foram procurados pela reportagem, mas não foram localizados até o momento. Ambos tinham os telefones celulares desligados, no início da noite.

Fonte:Daiane Vivatti, Lucas Rivas e Samantha Klein / Rádio Guaíba