24 julho 2014 - 17:31

Dívida pública, gestão e segurança rendem debate polêmico, na Guaíba, entre os candidatos ao Piratini

Oito postulantes se enfrentaram no Estúdio Cristal, na tarde desta quinta-feira

Candidatos se enfrentaram por quase três horas no Estúdio Cristal. Foto: Eduardo Paganella

Candidatos se enfrentaram por quase três horas no Estúdio Cristal. Foto: Eduardo Paganella

Mediado pelo jornalista Juremir Machado da Silva, o debate entre os oito candidatos ao governo gaúcho, realizado hoje no Estúdio Cristal, da Rádio Guaíba, discutiu oito temas, mas os da dívida pública, da segurança e da gestão foram os que mais geraram polêmica. Ana Amélia Lemos (PP), Edison Estivalete (PRTB); Humberto Carvalho (PCB); João Carlos Rodrigues (PMN); José Ivo Sartori (PMDB), Roberto Robaina (PSOL), Tarso Genro (PT) e Vieira da Cunha (PDT) debateram propostas para retomar o crescimento do Rio Grande do Sul. O encontro, que durou quase três horas, teve momentos tensos, em que alguns candidatos foram interrompidos por adversários, e outros em que os parlamentares apenas conversaram e trocaram ideias demonstrando bom humor, apesar da disputa eleitoral.

O tópico sobre gestão pública rendeu debate acalorado entre Ana Amélia (PP) e Tarso (PT). O candidato à reeleição questionou a progressista sobre o objetivo de estabelecer o Estado Mínimo e aplicar um arrocho salarial. A candidata rebateu dizendo que o atual governo mantém um programa semelhante ao PDV para incentivar a demissão voluntária no Banrisul e CEEE, o que Tarso refutou.

Ana Amélia também questionou o petista sobre pleno emprego difundido pelo governo federal e sobre o não cumprimento do pagamento do Piso Nacional do Magistério. “A Companhia Riograndense de Celulose criou sete mil empregos somente com a obrigação de compra de celulose de produtores locais”, disse o governador, ao sustentar o aumento do número de empregos na região Metropolitana.

Em resposta à gestão das contas dos cofres do Estado, Ana Amélia lembrou dos R$ 5 bilhões em saques dos depósitos ao Judiciário realizados pelo Piratini no ano passado. “A sua equipe não incluiu o saque dos depósitos na prestação das contas públicas. Caso contrário, o potencial de endividamento teria sido ultrapassado. Com essa manobra contábil, suas contas foram aprovadas pelo Ministério da Fazenda”, sustentou a progressista. Tarso rebateu dizendo que não declarou o saque dos depósitos porque não existe obrigação por lei.

Renegociação da dívida

Ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori (PMDB) destacou a necessidade da aprovação da modificação do índice que reajusta a dívida pública dos estados. Humberto Carvalho (PCB) ressaltou que as elites políticas não permitem a reforma política. Já o candidato Vieira da Cunha (PDT) cobrou de Tarso o por quê de o governo não recorrer à Justiça para reduzir os juros sobre os débitos do Estado. “O governo Collares fez isso e não obteve resultado”, disse o atual governador.

Tarso também lembrou que a bancada petista na Câmara contribuiu para a aprovação da lei que pode viabilizar a renegociação da dívida e disse que o Senado pode votar o projeto até o mês novembro. “Um leque de investimentos poderá ser aberto com a renegociação dos débitos”, ressaltou.

Vieira da Cunha (PDT) prometeu o corte de cargos comissionados e Tarso rebateu dizendo que CCs equivalem a 0,5% da folha de pagamento. Já Roberto Robaina (PSOL) garantiu que não se trata de falácia. “Esse montante poderia ser utilizado para dobrar o orçamento da Uergs”, exemplificou.

Segurança

O tema da Segurança também ganhou destaque entre os candidatos na corrida pelo Piratini. “Um dado de 2013 mostra que o Rio Grande do Sul tem um dos piores pisos para as polícias, assim como está nas últimas colocações em investimento em segurança. São apenas 5% do orçamento investidos”, afirmou Ana Amélia.

Em resposta, o candidato Estivalete (PRTB) prometeu a integração das polícias, a desmilitarização e o fim da Secretaria Estadual da Segurança. Já o candidato João Carlos Rodrigues (PMN) criticou a falta de policiais militares em municípios como Alvorada, na região Metropolitana. “Eu sei como fixar esses brigadianos lá”, destacou.

Na próxima quinta-feira, no mesmo horário, é a vez de os candidatos a vice se apresentarem ao eleitorado. Os debates seguirão a mesma temática do programa apresentado pela Rádio Guaíba nessa segunda-feira, que contou com a participação dos sete candidatos que concorrem a uma vaga ao Senado.

Fonte:Samantha Klein/Rádio Guaíba