19 maio 2017 - 18:58

Delatores da JBS dizem ter financiado políticos gaúchos com caixa 2

Onyx admitiu repasse de caixa 2. Jerônimo Goergen e Alceu Moreira negaram

Veja parte da planilha de repasses da JBS. Foto: Divulgação/STF

Veja parte da planilha de repasses da JBS. Foto: Divulgação/STF

Pelo menos quatro políticos gaúchos foram citados em delações da empresa JBS como beneficiários de recebimento de  caixa 2 em meio a doações oficiais de campanha. O objetivo era formar um “reservatório de boa vontade” para a empresa não sofrer entraves em negociações de interesse. Nesta sexta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou a íntegra da delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo controlador do frigorífico Friboi. Os depoimentos preencheram cerca de 2 mil páginas, e as oitivas foram gravadas em vídeo.

Entre os políticos citados estão Alceu Moreira (PMDB), Jerônimo Goergen (PP), Onyx Lorenzoni (DEM) e ex-deputado e ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.

Conforme citação de Joesley Batista e Ricardo Saud, os gaúchos receberam repasses via Associação Brasileira de Exportadores de Carne Bovina.

Assim como Paulo Ferreira, os deputados federais Alceu Moreira e Onyx Lorenzoni receberam 200 mil cada, entre agosto e outubro, de acordo com os delatores. Já o deputado progressista Goergen teve repassados R$ 100 mil. Em coletiva de imprensa, Onyx admitiu ter recebido R$ 100 mil por meio de caixa 2 (aguarde matéria em separado).

Em prestação de contas à Justiça Eleitoral, Jerônimo Goergen informou ter recebido R$ 850 mil da JBS para as eleições de 2014. Parte da doação veio diretamente para o parlamentar e a outra através da executiva nacional do Partido Progressista. Em nota, Goergen lamenta ter sido citado novamente em meio a delações da Lava Jato e garante não ter recebido doação ilegal da empresa. O deputado também disse que se coloca à disposição para esclarecer os fatos junto às autoridades.

Alceu Moreira também negou ter recebido doação ilegal da JBS e assegurou que os valores declarados na prestação de contas foram aprovados pela Justiça Eleitoral. Presidente do PMDB-RS e deputado federal, Moreira informou que não detém conhecimento integral dos fatos relatados e que está convicto de que agiu com licitude. Ele também esclarece que os valores que recebeu em campanha, em 2014, foram declarados e aprovados pela Justiça Eleitoral.

Paulo Ferreira foi procurado pela reportagem, mas ainda não foi localizado.

Confira, na íntegra, a nota de Jerônimo Goergen

Lamentavelmente, mais uma vez vejo meu nome citado de forma indevida em delações no âmbito da Operação Lava jato. Gostaria de esclarece que recebi, sim, doações oficiais da JBS na última campanha para a Câmara Federal, no valor total de R$ 850 mil. Valores repassados de forma direta à minha campanha e também via Partido Progressista (PP).

A denúncia trazida por Joesley Batista e Ricardo Saud dão conta de um repasse ilegal no valor de R$ 100 mil. Não faria sentido aceitar tal pagamento pelo relacionamento correto que sempre mantive com a empresa. É preciso destacar que minha aproximação com o grupo empresarial se deu através do ex-ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, a quem assessorei no Ministério da Agricultura e que, posteriormente, veio ser diretor da JBS. O apoio formal e oficial se deu através dessa relação e pelo trabalho correto que sempre realizei em defesa do setor agropecuário.

Sempre recebi apoio oficial e registrado na Justiça Eleitoral. Meus sigilos bancário, fiscal e telefônico seguem abertos e já há inclusive um processo de investigação concluído na Receita Federal, onde o órgão nada detectou em relação à minha conduta. Sigo apoiando a Lava Jato e me colocando à disposição das autoridades, em especial do Ministério Público e da Polícia Federal.

Confira, na íntegra, a nota de Alceu Moreira

O presidente do PMDB-RS e deputado federal, Alceu Moreira, informa que não detém conhecimento integral dos fatos relatados e tem convicção da licitude de suas condutas.

​Esclarece que os valores recebidos por sua campanha, em 2014, foram de forma regular e declarados à Justiça Eleitoral, que aprovou a prestação de contas.

Fonte:Rádio Guaíba