14 fevereiro 2018 - 18:33

Com deficit milionário, Beneficência Portuguesa será auditado pelo Sírio-Libanês para evitar fechamento de hospital

Hoje, dívida do hospital gaúcho já passa de R$ 70 milhões. Apenas, três pacientes estão internados em um espaço para mais de 150

Começou nesta quarta-feira de Cinzas (14) o trabalho de consultoria do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, para tentar tirar da UTI o Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre, que respira por aparelhos em função de uma crise financeira aguda. O Sírio-Libanês foi escolhido pelo Ministério da Saúde para apontar os caminhos ao hospital gaúcho. Hoje, a dívida do Beneficência Portuguesa passa de R$ 70 milhões e pode chegar a casa dos R$ 100 milhões.

Fundado há mais de 160 anos, o Beneficência Portuguesa tem capacidade para receber quase 180 leitos, porém atende apenas três pacientes conveniados, o suficiente para não fechar de vez a casa de saúde, diz o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes. “Se transferirmos estes doentes, o hospital fecha e não reabre. Mas, agora, temos certeza de que vamos recuperar o Beneficência e ele voltará a atender com capacidade plena”, afirma Paulo de Argollo.

A auditória vai durar três meses no hospital gaúcho. Depois, as recomendações serão levadas para as esferas políticas e privadas procurarem a melhor saída para administração Beneficência Portuguesa. No horizonte, a Cruz Vermelha e o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) aparecem como candidatos para gerir o hospital. “Nós estaremos nos próximos três meses dentro do Beneficência, pois existe a viabilidade do hospital se manter aberto. Esta não será uma missão impossível”, assegura diretor-executivo do Sírio-Libanês, Fernando Torelly.

O Sírio-Libanês já vêm atuando, com sucesso, ao lado de outros hospitais, na realização de consultorias em casas de saúde deficitárias. A entidade é uma das seis instituições do país que integram o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), financiado com recursos de isenção fiscal (Cofins e cota patronal do INSS). Pelo programa, o hospital paulista dará consultoria, fazendo um amplo diagnóstico, transferirá tecnologias de gestão e auxiliará o Beneficência a se reestruturar como uma instituição hospitalar.

Outra medida que também é esperada para breve é a abertura de 30 leitos de psiquiatria, que o Estado já manifestou que repassará verbas à prefeitura de Porto Alegre. “Leito psiquiátrico é mais fácil de manter, não precisa bloco cirúrgico, não exige muitos exames”, observou Argollo. Há carência muito alta de leitos em saúde mental, principalmente para crianças e adolescentes que hoje ficam internados em consultórios das emergências do SUS.

Atualmente, o hospital enfrenta dificuldades financeiras, que estão representadas no atraso no pagamento dos salários dos funcionários e a redução nos atendimentos. Diante dessa situação, a Prefeitura de Porto Alegre rescindiu o contrato em que eram mantidos dezenas de leitos pelo SUS. Fato que resultou, ainda, na troca da gestão do hospital.

Fonte:Lucas Rivas/Rádio Guaíba