19 junho 2017 - 10:30

Bioquímico suspeito de matar mulher e filho na zona Sul da Capital é julgado hoje

Crime ocorreu em 25 de julho de 2012, no bairro Tristeza

Carnetti matou a esposa Márcia e o filho do casal, de cinco anos, em julho de 2012. Foto: Reprodução/Facebook

Carnetti matou a esposa Márcia e o filho do casal, de cinco anos, em julho de 2012. Foto: Reprodução/Facebook

Começou na manhã desta segunda-feira o julgamento do farmacêutico e bioquímico Ênio Luiz Carnetti, indiciado por homicídio duplamente qualificado da esposa Márcia Calixto Carnetti e do filho Matheus. O crime ocorreu na residência da família na zona Sul de Porto Alegre, em 25 de julho de 2012. O Ministério Público estima uma pena de até 30 anos para Carnetti.

Os promotores Lúcia Helena Callegari e Eugênio Paes Amorim, os mesmos que atuaram no caso do bancário que atropelou ciclistas durante uma passeata em Porto Alegre, são os responsáveis pela acusação. O julgamento ocorre na 1ª Vara do Juri da Capital e tem previsão de dois dias de duração.

Até o final da manhã de hoje, na primeira parte do julgamento, três testemunhas foram ouvidas: Rafael Calixto (irmão de Márcia), João Calixto (pai de Márcia) e Maristela Fiorini (colega de trabalho de Márcia).

Rafael, que foi o primeiro a depor, afirmou que não gostava muito do cunhado por notar comportamentos estranhos de Ênio. Por ser servidor da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e ter contatos na polícia, Rafael foi o primeiro a receber um telefonema da Polícia Civil no dia em que o cunhado havia tentado se jogar da Ponte do Guaíba – até então, a família não sabia dos assassinatos. Depois, ao falar com o cunhado, Rafael perguntou da irmã. Ênio, porém, teria relatado que a esposa estaria em Brasília a trabalho.

O irmão da vítima relatou que sabia de traições à irmã, principalmente porque, apesar de não conversarem muito sobre isso, tendo em vista que Ênio não gostava de passar muito tempo com a outra parte da família, o cunhado havia mostrado ao irmão de Márcia, inclusive, sites de acompanhantes. E, além disso, teria confirmado a ele que havia relações extraconjugais com uma colega de trabalho no laboratório que trabalhava. Rafael, porém, teria preferido não comentar o caso com a irmã para não interferir na relação do casal. Márcia, embora o irmão não soubesse como, acabou descobrindo sobre ao menos uma traição.

João Calixto, pai de Márcia e o segundo a depor nesta manhã, porém, afirmou que ao receber a ligação do filho sobre a tentativa de suicídio do genro, disse ter pressentido que a filha e o neto teriam sido mortos por Ênio. Imediatamente foram até a zona Sul, na casa do casal, com a polícia, e foram constatados os assassinatos.

Maristela Fiorini, colega de trabalho de Márcia, foi a terceira e última a depor nessa manhã. Ela declarou que Márcia havia comentado com ela que a traição do marido foi descoberta na mesma época em que ela estava grávida de Matheus. Com isso, o desejo de se separar se arrastou por cinco anos.

Documentos anexados aos autos do processo pelo Ministério Público demonstraram, através de um e-mail enviado da filha ao pai, no dia 18 de julho de 2012, que Márcia afirmou ao pai que havia sido ameaçada de morte ao menos duas vezes pelo marido. Nele, também contava que no dia 15 de junho pediu a separação, que não teria sido aceita pelo marido. Uma semana após o envio do e-mail ao pai Márcia e o filho foram assassinados.

Novos depoimentos devem ocorrer nesta tarde e nesta terça-feira.

O caso

Márcia, na época com 39 anos, e o filho Matheus, de 5 anos, foram encontrados mortos em um condomínio no bairro Tristeza, na zona Sul de Porto Alegre. Os dois foram assassinados a facadas. O principal suspeito do crime era o marido e pai do menino, Ênio Luiz Carnetti. Após os assassinatos, ele teria tentado tirar a própria vida se atirando da ponte do Guaíba, mas acabou sendo salvo por um pescador que viu a cena e chamou os bombeiros.

Em agosto de 2012, o bioquímico foi indiciado pelo homicídio duplamente qualificado. Segundo o titular da 2ª Delegacia de Homicídios, delegado Cléber Lima, o caso foi classificado como crime passional, em razão de ciúmes e suspeita de traição.

Fonte:Rádio Guaíba e Correio do Povo