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12 outubro 2017 - 10:50

Aumento no preço do leite chegará ao consumidor gaúcho em até dez dias

Aumento do preço ocorre em decorrência da suspensão de importações de leite do Uruguai

Preço do leite deve subir em até 10% | Foto: Alina Souza / Correio do Povo

Preço do leite deve subir em até 10% | Foto: Alina Souza / Correio do Povo

A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) projeta que o aumento no preço do leite – por conta da interrupção das importações do produto do Uruguai – será repassado em até 10 dias às gôndolas de mercados do Estado. Conforme o presidente da Agas, Antônio Cesa Longo a estimativa é de que o valor médio do leite suba cerca de 10% por conta da restrição à importação.

Conforme o representante da Agas, o aumento de preço se faz necessário dentro da realidade do mercado. Ele também acredita que isso não vá provocar queda nas vendas.

“Nós acreditamos que o setor produtivo está com dificuldade de escoar a produção. O governo tem seus motivos e acredito que o mercado vai entender essa situação. Vai haver um repasse de preço pela diminuição da oferta do produto, mas é um realimento de preços dentro de uma realidade necessária. Nós não acreditamos em uma queda de vendas em função do produto está defesagem. Nós temos uma ideia, talvez a indústria, repasse um reajuste de cerca de 10% ao mercado e esses preços em cerca de dez dias estarão na ponta das gôndolas”, afirma.

A suspensão das licenças automáticas de importação de lácteos do Uruguai deve provocar mudanças rápidas para o consumidor, mas lentas para os produtores no Rio Grande do Sul. O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra, afirma que a suspensão de importações vai tirar a pressão do mercado que vive um cenário onde produtores e as indústrias estão trabalhando no vermelho.

“Vinha do Uruguai cerca de 6 mil toneladas por mês de leite em pó. Se ficar um mês suspensa essa importação é menos 6 mil toneladas no nosso mercado para poder tirar a pressão. Se nós associarmos com a compra governamental que estamos pedindo ao governo federal poderá nos tirar a pressão do mercado, fazendo com a gente possa ter estabilidade de preços. Travando assim a queda de preço para depois começar a retomada dos preços, pois no cenário que nós temos hoje está inviabilizando os produtores e as indústrias que estão trabalhando no vermelho”, ressalta Guerra.

O presidente do Sindilat estima que, de imediato, o que se conseguirá fazer é cessar a tendência de queda do preço do leite pago ao produtor, que em setembro ficou, em média, em R$ 1,02.

O presidente da Fetag e do Instituto Gaúcho do Leite, Carlos Joel da Silva, avalia que a medida do governo é positiva, mas tardia. “Ela chega quando o estrago para o produtor no ano de 2017 já foi feito. Isto deve estancar a perda, mas a melhora de preços deve vir somente quando forem anunciadas as compras governamentais, prometidas pelo ministro (do Desenvolvimento Social) Osmar Terra”, destaca Joel.

O ministro da Agricultura Blairo Maggi, diz que o leite vindo do Uruguai tem contribuído para a crise no setor no Brasil e a situação está se transformando em quase insuportável para o produtor local, em função dos custos que inviabilizam competir com o produto do país vizinho.

Setores organizados, produtores, sindicatos, associações e federações reclamam também da quantidade de leite importado do país vizinho e alegam que o Uruguai estaria exportando leite que não é produzido lá, pois a produção do país seria insuficiente para exportar a quantidade que tem chegado ao Brasil.

A suspensão, de acordo com Maggi, valerá até que seja concluída a rastreabilidade do produto e só será revertida se conseguirem comprovar que 100% do volume exportado ao país são produzidos no Uruguai.

Fonte:Rádio Guaíba / Correio do Povo