17 julho 2017 - 19:38

Apoiadores de servidora demitida após denúncia de assédio sexual fazem protesto nesta terça

Mais de 1,2 mil casos de assédio sexual foram denunciados em dois anos na Justiça do Trabalho do RS

A trajetória da higienista Raquel Furtado, de 34 anos, no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), começou em março de 2015, quando ela passou a trabalhar na instituição depois de passar em um concurso. A servidora, no entanto, foi surpreendida com uma demissão por justa causa há exatamente uma semana. Raquel denunciou assédio sexual no início do ano passado, após um médico dar um esbarrão e apalpar as nádegas dela no meio do corredor do hospital. “Eu confrontei ele, ele me pediu desculpas e disse que aquela era uma brincadeira. Eu discordei e perguntei à minha supervisora onde fazer a denúncia”, relata. Amanhã, apoiadores da servidora fazem um ato público em repúdio à medida tomada pelo hospital.

Por mais de um ano, no entanto, a denúncia ficou paralisada, conforme a servidora. Raquel registrou boletim de ocorrência e abriu um processo contra a instituição e também contra o médico. Mas foi só depois de ela ter feito uma publicação em uma rede social, em abril de 2017, criticando a demora para receber alguma resposta, que o hospital se manifestou. De acordo com a higienista, neste momento foi aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o médico e outro contra ela, o que culminou em demissão por justa causa. “Inicialmente, disseram que iriam me dar uma advertência, mas me demitiram com a justificativa de insubordinação”, relata.

Já o PAD envolvendo o médico não havia sido finalizado e, mesmo após solicitar, Raquel disse que a instituição não repassou nenhuma informação sobre o caso a ela. A servidora denunciou ainda que, durante todo o período, sofreu represálias, como mudanças nos horários de trabalho e de setor. Mesmo assim, a higienista não se arrepende de ter denunciado. “É muito importante que as mulheres denunciem, mas eu espero que a justiça aconteça aqui fora”, defende.

O caso de Raquel não é isolado. Nos últimos dois anos, chegaram ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) mais de 1,2 mil processos de assédio sexual, sendo 632 deles em 2016. Como forma de repudiar a demissão da servidora e incentivar mulheres a denunciar outros casos de assédio, apoiadores da higienizadora vão realizar um ato em frente à sede administrativa do GHC, nesta terça-feira. O protesto está sendo organizado pelo Sindisaúde-RS, Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (ASERGHC), entre outros movimentos sociais e entidades, com início previsto para as 11h.

Por meio de nota, o hospital destacou que, “com relação à profissional que não faz mais parte dos quadros desta instituição de saúde, o Grupo Hospitalar Conceição, seguro dos procedimentos administrativos, não irá se manifestar sobre o caso”.

Fonte:Daiane Vivatti/Rádio Guaíba