|
|
Equipe de resgate retira do mar um dos sobreviventes do acidente no Líbano
|
O gaúcho de Pelotas Vitor Pinheiro Melo, de 35 anos, relatou os momentos de angústia que passou após o naufrágio do navio no qual estava na costa do Líbano. Ele fazia a terceira viagem pela companhia e, depois de entregar a carga de gado e ovelhas, se preparava para voltar ao Brasil na próxima segunda-feira.
Melo, que é assistente veterinário, deve receber alta neste sábado do hospital Monla, em Trípoli. Ele contou que ficou agarrado em uma tábua à deriva, na espera do socorro. Passar frio foi o pior de tudo. “A água estava muito gelada. Não tinha como nadar, tinha muita onda”, relatou.
Melo disse que, quando viu uma luz ao longe, tentou chamar a atenção. “Eu vi uma luz longe, peguei o apito e comecei a assobiar. Levantei a mão, me resgataram, mas aí também foi difícil porque era um barco pequeno e tinha onda muito grande”. Ele já falou com a família e espera voltar no dia previsto para o País.
O tripulante também contou que percebeu que algo estava errado quando, no sexto andar da embarcação, a inclinação era muito grande e não voltava ao normal. “Inicialmente achei que estavam lavando, porque inclinam o barco para lavar, mas estava inclinando demais e demorando para voltar. Então eu fui para cima pegar o salva-vidas e daí para a parte mais alta”. Nestes instantes, houve pânico no barco e ele mesmo estava muito nervoso.
Quem é e como aconteceu
Vitor Pinheiro Mello, de 35 anos, gaúcho de Pelotas, estava na embarcação Danny, de bandeira panamenha, que tinha saído do Uruguai em 29 de novembro com destino à localidade síria de Tartus. O navio afundou a cerca de 20 quilômetros da costa de Trípoli. O mar muito agitado dificultou os trabalhos de resgate. Vinte e duas pessoas foram resgatadas com vida e nove corpos foram encontrados. A nacionalidade dessas pessoas não foi confirmada. A maioria dos tripulantes era de paquistaneses e filipinos. O navio transportava 83 pessoas e levava uma carga de 30 mil vacas e carneiros. Nove embarcações libanesas e três navios da força interina da ONU fazem buscas por sobreviventes.