Conhecido como "Hierro", o líder da torcida Guarda Popular, do Internacional, foi interrogado, na tarde desta quarta-feira, depois de ter sido apontado com um dos autores de agressões na semana passada, na saída do jogo de despedida de Fabiano Souza, no Beira-Rio. No depoimento, ele negou ter utilizado facas para atacar integrantes da torcida dissidente da Guarda, a Popular do Inter, e disse ter agido para "se defender", munido de uma soqueira. Segundo a polícia, Hierro, que já tinha antecedentes, foi detido no dia da confusão. Independentemente do final do inqúerito, ele vai ser alvo de um pedido, na Justiça, de banimento dos estádios brasileiros por um período de um a três anos, com base no Estatuto do Torcedor.
Testemunhas relataram que Hierro e outros integrantes da Guarda, entre eles seguranças pagos, caminharam pelo pátio do estádio até o setor frequentado pela Popular do Inter, antes de colorados serem esfaqueados. Já Hierro, de acordo com a polícia, alegou que se envolveu na confusão "quando caminhava em direção a um bar para comprar uma cerveja e percebeu uma briga em andamento no túnel de acesso ao portão 4". O relato difere da versão apresentada por um dos agredidos, sem vínculos com as duas torcidas, que foi espancado por filmar a confusão com um telefone celular.
"Por enquanto não darei minha opinião sobre a veracidade desta versão. Preciso recolher todos os depoimentos e analisar imagens de vídeo. Ninguém é vítima nesta história. Houve uma briga generalizada e peciso saber os motivos para ela ter iniciado", avaliou a responsável pelo caso, a titular da 20ª Delegacia da Capital, Sílvia Regina Cóccaro.
A delegada revelou investigar, ainda, se uma navalha também pode ter sido usada por Hierro, que segundo a policial, admitiu que paga seguranças para se proteger. "O fato de estar com soqueira caracteriza uma ilegalidade, mas é preciso apurar se ele ajudou a esfaquear", afirmou, sem confimar um possível indiciamento por tentativa de homicídio ou uma responsabilização por lesão corporal. A polícia já sinalizou que, por enquanto, é mais provável que a acusação mais leve seja aplicada, mas laudos sobre a gravidade das lesões são aguardados. Além de Hierro, outro integrante da Guarda, que disse ser conhecido como "Ranieri", foi interrogado, sob suspeita de participação nas agressões com faca.
A direção do Internacional já anunciou as extinções da Guarda e da Popular - com a proibição do ingresso de instrumentos, faixas, bandeiras, e de colorados cadastrados, com ingressos subsidiados -, mas ainda não impôs punições individuais. "Vamos aguardar uma decisão judicial, pois o clube entende que é preciso respaldo da Justiça para aplicar o Estatuto do Torcedor. Podemos exinguir as torcidas, mas todo torcedor tem direito de ir e vir. É preciso uma intervenção judicial para impedir o ingresso no estádio", disse o diretor de torcidas do Inter, Luis Fernando de Oliveira - que também é delegado de polícia.
A delegada Sílvia já confirmou que vai pedir à Justiça o banimento de pelo menos dois torcedores: Hierro e um líder da Popular do Inter, de nome não divulgado. A lista, no entanto, pode ser maior. No último Grenal, uma briga entre as duas torcidas ocorreu nas arquibancadas do Beira-Rio. O estopim da confusão foi uma faixa com a frase "a barra do Hierro", estendida sem o aval do clube, e intepretada como uma provocação pela torcida rival.
Hierro sustenta estar sendo perseguido há mais de um ano pela Popular. Conforme a polícia, a torcida é composta por ex-membros e fundadores da Guarda, que migraram para outro setor do Beira-Rio ao contestarem atitudes autoritárias, o uso de seguranças, e a forma como recursos financeiros eram administrados. No ano passado, Hierro firmou uma parceria para apoiar o então candidato à presidência do Inter Pedro Affattato, que perdeu o pleito para Giovani Luiggi.