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14/11/2009 20:37 - Atualizado em 14/11/2009 21:31

Técnica de enfermagem indiciada por tentativa de homicídio em Canoas foi babá na adolescência

Familiares dizem que ela seria incapaz de fazer qualquer mal a uma criança

O último telefonema entre Lucimar da Silva e a filha, Vanessa Pedroso, ocorreu na terça-feira passada. Segundo a mãe, ela estava bem e iria para a cidade onde a família mora, em Cruz Alta, no próximo dia 20, para o casamento de uma prima. “Inclusive ela estava muito bem, feliz, comentou que tinha comprado o presente, e não falou nada sobre o trabalho”, conta Lucimar.

As duas não se viam havia algum tempo, em virtude da distância e da carga horária de trabalho acentuada de Vanessa, que trabalhava em dois empregos, no Hospital da Ulbra, em Canoas, e no Hospital Regina, em Novo Hamburgo, onde morava com o esposo até ser detida, na noite dessa sexta-feira.

“Se ela 'tá' depressiva é talvez porque esteja trabalhando muito, mas não notei nada, assim por telefone”, relatou a mãe. Lucimar contou que Vanessa foi babá na adolescência e se formou técnica, já em Porto Alegre, quando morava com ela e o ex-marido. Há três anos, Lucimar voltou para Cruz Alta depois de se separar do pai de Vanessa, Ayron Kleberson da Silva.

Em depoimento informal, nessa madrugada, Vanessa disse ainda estar abalada com a separação, o que explicaria a atitude que a levou, agora, para a Penitenciária Feminina Madre Pelletier. Presa em flagrante, a jovem, de 25 anos, foi indiciada pelo titular da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, delegado Guilherme Pacífico, por tentativa de homicídio qualificado. A mulher teria sedado 11 bebês recém-nascidos, sete meninas e quatro meninos, com morfina e benzodiazepina, nome genérico do diazepan. Em depoimento informal à polícia, Vanessa afirmou que não queria ver as crianças chorando de sofrimento.

A prima de Vanessa, Juliana da Silva, soube pela reportagem que a técnica de enfermagem estava presa. Ambas chegaram a morar juntas algum tempo, em Cruz Alta, e, segundo Juliana, a prima nunca apresentou nenhum tipo de problema. No entanto, ela estaria abalada pela separação dos pais. “A mãe tentou se matar algumas vezes”, revelou.

Pai de Juliana e tio de Vanessa, Yoran Anderson da Silva diz que a sobrinha estava sob tratamento psicológico há alguns meses, em função da carga horária excessiva. “Tenho certeza que aconteceu algum mal-entendido, ela é uma pessoa de bom coração, incapaz de fazer qualquer mal a uma criança”, refuta.

Mas a teoria de Sérgio Zolim é outra. Policial há 28 anos, hoje ele chefia o setor de investigação da 1ª Delegacia de Polícia. Para Zolim, a motivação dos crimes foi religiosa. “Ela queria ver acontecer milagres. Ela (Vanessa) aplicava a medicação via oral, 1mg de morfina com diazepan, ficava 1h15 esperando até dar a reação do remédio, a criança começava a passar muito mal e ia para a UTI. Lá, ela ajudava nos primeiros socorros junto aos médicos, para ver o resultado do que fez. Ela queria se certificar que as crianças estavam passando por um milagre”, relata Zolim, de acordo com o depoimento da técnica.

O inspetor disse que nunca tinha visto nada igual. “Ontem vi o semblante de um dos médicos da Ulbra, esse homem chorou na minha frente, porque eram crianças. A gente se abala também, coisa horrível, era um quadro satânico, ela é a maníaca da seringa”, comenta.

Ainda sobre o depoimento, o chefe das investigações, que algemou Vanessa na prisão em flagrante, disse que a jovem não estava abalada. “Ela teve um chorinho, quando começou a confessar, mas depois se estabilizou. Ela não percebeu a gravidade do que ela fez”, acredita.

Vanessa é mórmon e, segundo as investigações, não aceitava que médicos residentes receitassem medicamentos às crianças. Então, ela mudaria as prescrições, aumentando ou diminuindo a quantidade de remédios, e às vezes até trocando as substâncias receitadas.

Para a diretora do Hospital Universitário da Ulbra, em Canoas, Eleonora Walcher, a funcionária nunca tinha sido alvo de qualquer queixa. “Ela teve de se afastar por suspeita de Influenza A, e depois porque pegou pneumonia, mas as mães das crianças diziam que era uma garota super atenciosa”, explica a diretora.

A jovem permanece na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, sob a vigilância de agentes da segurança da Superintendência de Serviços Penitenciários, em uma cela isolada. A situação psicológica dela será acompanhada durante este final de semana. Caso apresente algum transtorno, Vanessa será transferida para o Instituto Psiquiátrico Forense.

     Ouça o áudio: Lucimar da Silva, mãe de Vanessa
     Ouça o áudio: Juliana da Silva, prima da técnica de enfermagem
     Ouça o áudio: Yoran Anderson da Silva, tio da suspeita

Fonte: Marjulie Martini/Rádio Guaíba

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