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14/11/2009 14:42 - Atualizado em 14/11/2009 17:44

“Não queria ver sofrimento de crianças”, disse à polícia funcionária que confessou sedar bebês em hospital de Canoas

Técnica de Enfermagem do Hospital da Ulbra, de Canoas, foi indiciada por tentativa de homicídio e encaminhada à Penitenciária Madre Pelletier

Seringa usada pela técnica para sedar os bebêsFoto:
Seringa usada pela técnica para sedar os bebês

O titular da 1ª Delegacia de Canoas, indiciou por tentativa de homicídio qualificado a técnica em enfermagem Vanessa Pedroso, de 25 anos. O delegado Guilherme Pacífico disse que a mulher alegou estar em quadro depressivo por conta da separação dos pais. A profissional foi encaminhada à Penitenciária Madre Peletier, de Porto Alegre.
 
O delegado disse que em depoimento informal na delegacia a mulher admitiu os crimes. "Apresentei uma seringa com morfina e ela desatou a chorar". O material estava na pochete da técnica. Ela confessou ter sedado recém-nascidos no Hospital Universitário da Ulbra, em Canoas, disse o delegado Guilherme Pacífico, que desvendou os casos de tentativa de homicídio contra 11 bebês.

Uma frase dita por Vanessa Pedroso, 25 anos, surpreendeu o delegado: “Eu não queria que eles (os bebês) sofressem”. A técnica de enfermagem relatou que há cerca de 20 dias ficou comovida ao ver uma criança de cinco anos chorando no Hospital Regina, em Novo Hamburgo, onde também trabalha. Teria descoberto que a mãe havia se separado do pai, e que, desde então, a criança estava muito abatida. De acordo com investigações, o caso se confunde com o drama pessoal da enfermeira. “Ela nos contou que o pai teve um relacionamento extraconjugal e teria nascido um bebê fruto da traição. No entanto Vanessa nega que teria ódio do meio-irmão”, conta o delegado.

As suspeitas sobre o envenenamento no Hospital Universitário de Canoas começaram no início da semana, quando alguns recém-nascidos, que estavam em bom estado de saúde apresentaram problemas respiratórios. Na quarta-feira, a direção do hospital avisou o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ª DPRM), delegado Edílson Chagas Paim, e o setor de Vigilância em Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde. Laudos médicos sobre os recém-nascidos foram analisados, assim como a rotina dos funcionários que trabalhavam na maternidade. “Na última escala de plantão da suspeita, ela teria aplicado morfina em duas crianças. Na noite seguinte, quando ela não trabalhou, nenhuma criança foi sedada”, diz Guilherme Pacífico.

Os bebês foram transferidos da maternidade para a a UTI Neonatal. “Ainda é cedo para sabermos se haverá sequelas, mas todas as crianças estão bem”, disse Eleonora Walcher, diretora-geral do Hospital Universitário. Pais e parentes acompanharam a entrevista coletiva concedida por policiais e direção do hospital neste sábado. A mãe de uma das crianças agredidas desabafa: “Eu fiquei sabendo sobre esta psicopata hoje de madrugada quando abri a internet e li uma notícia. Agora pela manhã a direção do hospital nos contatou”.

O militar do Exército Juliano Marques, 27 anos, é pai, pela primeira vez, de uma menina de seis dias. “É surreal me deparar com o caso de uma psicopata atuando aqui em Canoas. Esse tipo de coisa só tinha visto em filme. O bebê foi para a UTI Neonatal na segunda-feira, quando se suspeitava que estava com infecção”, disse o pai da menina que também passa bem.

     Ouça o áudio: Delegado Guilherme Pacífico
     Ouça o áudio: Secretário Estadual da Saúde, Osmar Terra
     Ouça o áudio: Mãe de uma criança intoxicada
     Ouça o áudio: Pai de uma menina de cinco dias
     Ouça o áudio: Secretária da Saúde de Canoas, Beth Colombo

Fonte: Jimmy Azevedo/Rádio Guaíba

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