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14/04/2013 09:26 - Atualizado em 14/04/2013 15:50

Instrutor de informática para crianças é preso e admite ter matado seis taxistas em Porto Alegre e Livramento

Morador do bairro Santa Cecília, jovem de 21 anos alegou ter cometido os crimes para poder pagar o aluguel atrasado, de cerca de R$ 1 mil

Autoridades da Segurança Pública detalharam prisão nessa manhã. Foto: Luciano NagelFoto:
Autoridades da Segurança Pública detalharam prisão nessa manhã. Foto: Luciano Nagel

A Polícia Civil revelou hoje ter detido, na tarde desse sábado (13) um jovem de 21 anos suspeito de ter matado seis taxistas - três deles em Santana do Livramento e três em Porto Alegre. Segundo o chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Jr, o rapaz confessou os crimes, alegando que ocorreram por motivação financeira. Instrutor de informática para crianças na Capital, Luan Barcelos da Silva foi preso no bairro Santa Cecília.

Em uma entrevista coletiva na sede do Palácio da Polícia, o delegado Ranolfo ressaltou que, após a prisão, Luan, natural de Santana do Livramento, prestou depoimento à Polícia Civil e deu detalhes de como ocorreram os crimes nas duas cidades. Ele disse estar precisando de dinheiro para pagar o aluguel atrasado há dez dias, no valor de R$ 1 mil. De acordo com a investigação, o suspeito roubou celulares dos motoristas que doou a parentes e amigos. Um dos aparelhos, inclusive, foi passado a um irmão de apenas 10 anos. A partir daí, os policiais chegaram até o suspeito.

Com ele, foram encontradas roupas com sangue, o celular de uma das vítimas e um comprovante de uma passagem de ônibus, o qual o trouxe de Santana do Livramento para Porto Alegre, após os três primeiros assassinatos. Segundo o delegado Ranolfo, que acompanhou a detenção e o depoimento do jovem, as provas colhidas são robustas.

Câmeras de segurança gravaram os momentos em que Barcelos abordou a maior parte dos motoristas. As roupas usadas pelo suspeito aparecem nas gravações e batem com o relato de testemunhas.

De acordo com a Polícia, o jovem vivia há dois e meio na Capital. Chegou a Porto Alegre, começou a trabalhar como motoboy e, há 15 dias, passou a ser educador educacional de informática para crianças, em uma empresa, cujo nome não foi revelado.

Luan tinha relação de amizades extensa nas redes sociais. No apartamento onde residia com um amigo no bairro Santa Cecília, policiais encontraram a segunda via da passagem de ônibus com destino Livramento/Porto Alegre, com data de 28 de março de 2013.

Já na casa da avó do rapaz, em Santana do Livramento, foi encontrada uma jaqueta suja de sangue, ressaltou o delegado Roger Bittencourt Tavares, um dos responsáveis pela investigação.

Suspeito é jovem de classe média

Ranolfo afirmou que o jovem utilizou os mesmos métodos e a mesma arma, um revolver calibre 22, que disse ter conseguido com um amigo uruguaio de 15 anos. “Vamos investigar a veracidade dessa informação. Ele disse que descartou essa arma em Porto Alegre”, contou o delegado.

A delegada Melina Zogbi Bueno, que tomou o depoimento de Luan, acrescentou que, nos seis crimes, o matador disparou duas vezes contra a cabeça das vítimas. Ela observou, ainda, que o jovem mostrou calma e frieza ao depor. “Ele é um jovem de classe média, com ensino médio completo. Disse que não acompanhava as notícias e não tinha noção da repercussão dos crimes”, afirmou. Após as mortes em Porto Alegre, ele voltou para casa, de táxi, e pagou a corrida.

A Polícia Civil crê na motivação financeira dos homicídios e não vê ligação entre as vítimas. “Eram aleatórias”, destacou Melina. A intenção dele era vender um notebook e uma câmera em Santana do Livramento para pagar o aluguel. Como não conseguiu, começou a cometer os crimes. “Em Santana do Livramento, obteve R$ 470 e, em Porto Alegre, R$ 400”, informou Ranolfo.

Luan Barcelos da Silva está recolhido desde às 6h deste domingo na Penitenciária Estadual de Livramento (Pesl).

Protestos se seguiram às seis mortes

As primeiras mortes ocorreram em 28 de março, quando três corpos de motoristas foram encontrados em Santana do Livramento. As vítimas foram localizadas nas primeiras horas da manhã em locais diferentes: o de Marcio Fabiano Guimarães foi localizado na rua Daniel Pereira, no bairro Armour, e o de Hélio Beltrão foi encontrado na rua Vitelio Trevisan, no Residencial Veneza, nas imediações do Parque Municipal do Batuva.

A terceira vítima, identificada como Tito Lencina, foi descoberta por volta das 9h30min no bairro Bicio, na cidade uruguaia de Rivera. A exemplo dos colegas, Lencina foi atingido por dois disparos.

Dois dias depois das mortes dos motoristas de Santana do Livramento, no dia 30, outros três taxistas foram assassinados em Porto Alegre. Cláudio Gomes, 59 anos, Eduardo Ferreira Haas, de 31, e Edson Roberto Loureiro Borges, de 50 foram mortos a tiros.

Haas foi encontrado morto com pelo menos dois tiros na cabeça, por volta das 2h, na rua São Jerônimo, bairro IAPI. Ele atendia em um ponto na avenida Assis Brasil, em frente à Igreja São José. O veículo Corsa Classic que ele conduzia foi abandonado na rua Mata Bacelar, no bairro Auxiliadora.

Já Borges, que conduzia um Passat era empregado de uma empresa de tele-táxi, foi localizado na rua Dos Nautas, na Vila Ipiranga. O veículo foi abandonado na rua Bogotá, entre os bairros Jardim Lindóia e São Sebastião.

Em decorrência da morte de Cláudio Gomes – primeiro taxista encontrado morto – motoristas realizaram um protesto em Porto Alegre. Por volta das 5h do mesmo dia, mais de 50 taxistas bloquearam a avenida Ipiranga, nos dois sentidos, nas proximidades do Palácio da Polícia. Mais tarde, o grupo foi até a casa do governador Tarso Genro, no bairro Rio Branco. O governador recebeu lideranças do movimento que pediam maior segurança para a categoria.

Com informações dos repórteres Luciano Nagel, Mauren Xavier e Jango Medeiros



     Ouça o áudio: Del. Ranolfo Vieira Júnior

Fonte: Correio do Povo e Rádio Guaíba

 

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